segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Vida de Marujo

Capítulo 2 - Sobre Garrafas de Bebida, Facas e Tiros de Canhão
A taverna era grande e ficava em um canto da praça principal. Cheirava a bebida e comida, provavelmente peixe. Na entrada era possível ler em uma grande placa de madeira segura por correntes do tamanho dos pulsos de Tom “Alavanca do Nevoeiro”.
– Que nome mais esquisito – Tom caçoava baixinho.
Andou pela taverna lotada a procura de alguma pessoa bêbada o suficiente para que lhe entregasse uma garrafa cheia de bom grado, tendo o cuidado de não chamar a atenção para si.
O mais bêbado dos homens que Tom pode ver era grande, gordo e com uma grande barba loura presa em trança. Era engraçado ver um homem daquele tamanho com uma trança, mas mesmo assim, descobrir por qual motivo ele usava trança não era o foco de Tom. O foco era a garrafa.
O garoto se aproximou da cadeira do seu “alvo” e se enfiou debaixo da mesa dele sem ser notado.
– Ótimo ­– pensou – agora é só sair e pagar a garrafa. Tudo bem, como se faz isso?
Pensou por uns instantes até que resolveu puxar as calças do homem, algo extremamente arriscado, mas aceitável. Quando o fez, foi com uma velocidade tremenda que o pobre coitado já nem sabia o porquê de estar sem calças, mas conseguiu ver a mão de Tom sobre sua garrafa de bebida e o agarrou pelos pulsos, fazendo brotar-lhe uma careta de dor.
– Então ladrãozinho – o homem apertou-lhe ainda mais os pulsos – por que não me da um bom motivo para que eu não lhe quebre os pulsos e o afogue?
– Bom... – Tom não imaginava nada melhor para dizer – talvez você seja um cara bonzinho e que não machucaria um podre garoto, como eu, que só estava testando seus reflexos.
Depois disso, o enorme homem tacou-o num canto, fazendo as costas de Tom estalarem e a cabeça bater na parede causando uma dor quase insuportável por alguns instantes. Mal havia se levantado e o mesmo homem já estava o segurando de novo, mas dessa vez ele tinha uma faca a mão.

Apesar de tudo, foi simples escapar dele, o bafo de bebida o havia denunciado e ajudado Tom, que simplesmente começou a se mover feito um louco até desequilibrar o homem e o fazer cair. Foi até fácil.
Até que uma dor atingiu a perna de Tom.
Um olhar mais atento revelou ser o que ele mais temia: a faca do homem absurdamente grande e gordo.
– É claro que eu tinha que me machucar –­ murmurava Tom – eu sempre acabo me machucando, não é mesmo?
Partiu em direção a algumas garrafas cheias no balcão (mancando um pouco e na maior velocidade que podia, graças ao corte na perna esquerda), tratou logo de segurar duas garrafas, uma em cada mão e a se virar bem a tempo de ver o homem pronto para lhe acertar um golpe certeiro. Sem pensar muito, deu-lhe com uma das garrafas na cabeça e partiu correndo, bem a tempo de olhar para trás e notar que praticamente todo o mercado havia mergulhado numa briga. E o mais engraçado era que no mínimo a metade dos envolvidos não sabia nem o porquê de estarem brigando. Um trabalho de gênio, na opinião de Tom.

A procura pelo capitão não foi tão fácil quanto parecia a principio, mas acabou resultando em apenas três horas e alguns minutos de caminhada com uma perna sangrando e o estomago fazendo mais barulho que qualquer coisa normal era capaz de fazer. Mas deu certo, e, a cair da noite, lá estava Tom em frente ao capitão Arraeas, entregando-lhe uma garrafa de bebida, um pouco quente, na verdade, mas ainda assim era a bendita garrafa de bebida que ele procurou por tanto tempo.
– Bom, – começou o capitão – creio que agora deva tratar dessa perna machucada, certo? A menos que prefira o contrário. O problema é seu.
– Na verdade, senhor, preferiria tratá-la.
– então o que está esperando? Que eu lhe diga o que fazer?
– Na verdade... – A voz de Tom logo foi interrompida por um estrondo, provavelmente vindo de um canhão e por uma cratera aberta a alguma distancia de onde ele se encontrava. Uma cratera claramente causada por uma bala de canhão. Uma bala de canhão de um possível navio pirata!


PS: conto ainda não revisado (assim como o outro). Alguém se abilita?

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